O correto é Antártida ou Antártica?


     A palavra Antártida deve ser empregada quando nos referimos ao “continente gelado”, situado no hemisfério sul e cuja propriedade não é de nenhuma nação. Antártida é um substantivo próprio e deve ser escrito sempre com letra inicial maiúscula assim como Amazônia (floresta) ou Amazonas (estado brasileiro).
     Já a palavra antártica deve ser empregada como adjetivo: continente antártico, região antártica, estação (de pesquisa) antártica, massa polar antártica, etc.
     A palavra antártica, deve-se ressaltar, a menos que esteja sendo usada como substantivo próprio, como no caso de uma famosa marca de cerveja brasileira; deve ser sempre escrita com letra inicial minúscula.
     O substantivo próprio Antarctica também se diferencia do adjetivo antártica por possuir uma letra a mais, o “c” (mudo) com que a palavra antár(c)tica era escrita à época da fundação da então fábrica de cervejas Companhia Antarctica Paulista. Talvez a falta do acento agudo (que àquela época já era obrigatório em palavras proparoxítonas) se deva a uma estratégia gramatical para “facilitar” a escrita do nome da cerveja e da companhia.

Qual a diferença entre ESOtérico e EXOtérico?


    Os dois adjetivos vêm do grego e referem-se aos ensinamentos filosóficos da Antiguidade Grega. Esotérico refere-se aos ensinamentos dedicados, exclusivamente aos discípulos já iniciados, o que confere a esses ensinamentos um caráter de doutrina secreta, restrita a um círculo fechado. Por extensão, o adjetivo esotérico refere-se a algo de difícil compreensão, hermético, secreto.
     Exotérico apresenta, em sua formação, o prefixo ex (o), que significa “para fora”; assim, exotérico refere-se aos ensinamentos ministrados ao público em geral, de forma aberta.
     Como se percebe, esotérico e exotérico são vocábulos homófonos, mas designam coisa opostas; portanto, tenha muito atenção ao empregar essas palavras.

O termo correto é concluído ou concluso?


     O particípio acumula as características de verbo com as de adjetivo e, na forma, se distingue pelas desinências -ado para a 1ª conjugação e –ido (–ida) para a 2ª e a 3ª. O particípio permite a formação dos tempos compostos que exprimem o resultado do processo verbal. Exemplos: “Dilma tem provado o gosto do poder.”, “Já havíamos preparado o carro quando vimos o pneu vazio.”, “A motorista está com a carteira vencida.”.
     Existem verbos, em português, que possuem dois particípios: um regular – com as terminações -ado e –ido (–ida) _ já mencionadas _ e outro chamado irregular, porque se forma de modo contraído, sem tais desinências, como solto, findo, salvo, seco etc. O particípio regular é usado com os auxiliares ter e haver, ou seja, na voz ativa. Exemplos: “Todos haviam (ou tinham) concluído o trabalho.”, “O trabalho foi (ou estava) concluso.”.

O correto é cumprimento ou comprimento?


     Comprimento (escrito assim, com “o”) é o mesmo que “extensão de uma linha”, “distância longitudinal de um objeto”.  A palavra comprimento deriva do mesmo radical que o adjetivo comprido, que significa, segundo o Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, versão 3.0: “extenso ou longo (em relação ao espaço ou ao tempo)”.
     Na física, o comprimento pode ser definido como: “uma grandeza fundamental que expressa a distância entre dois pontos” e sua unidade básica de medida no SI (Sistema Internacional de Medidas) é o metro que hoje em dia se define em termos da velocidade da luz. 1 metro é corresponde ao comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo, durante um intervalo de tempo de 1/299 792 458 avos de segundo.
     Já a palavra cumprimento (escrito assim, com “u”) pode ser o ato ou o efeito de cumprir (cumprimento de uma promessa) ou saudação (Dirigiu-lhe um jovial cumprimento). E cumprimentar por sua vez é o verbo que designa a ação de saudar, dirigir um cumprimento.

10 dicas para uma redação nota 10


     A redação é uma avaliação à parte em muitos concursos e vestibulares tendo, muitas vezes, um peso maior do que as demais provas, por isso toda atenção e concentração é necessária na hora de redigi-la.
     Algumas empresas utilizam-na, também, para avaliar o perfil psicológico de um candidato a uma vaga de emprego. Portanto, em redações de tema livre tome cuidado com o que você escreve.
     Vamos às dicas:
1-        A primeira coisa que você deve saber é que uma redação deve ter início (apresentação do assunto), meio (explanação do assunto) e fim (conclusão) _ necessariamente nesta ordem. Nunca inverta a ordem cronológica começando a redação com o que deveria ser a conclusão.
2-        Não fuja do tema determinado. Se o tema for, por exemplo, segurança pública, não escreva sobre o que você almoçou ontem.
3-        Nunca termine uma redação de maneira abrupta, pois desta forma você comprometerá a compreensibilidade do texto como um todo.
4-        Evite escrever sua redação até exatamente o mínimo de linhas exigido, pois isto denota falta de criatividade e preguiça.
5-        Não exceda o número máximo de linhas permitido para a redação, pois isto denota falta de controle.
6-        Não faça do tema o título da sua redação. O título deve ser original e, não, uma cópia do tema.
7-        Evite escrever períodos demasiadamente longos, pois desta forma você garantirá integridade e inteligibilidade do texto.
8-        A letra de forma deve ser evitada, pois dificulta a distinção entre maiúsculas e minúsculas. Utilize uma escrita cursiva.
9-        Não utilize palavras e expressões que não fazem parte do seu vocabulário cotidiano, a menos que você seja um leitor inveterado, pois assim você corre menor risco de cometer erros ortográficos.
10-     Acima de qualquer coisa leia muito, leia de tudo (livro, jornal, revista, panfleto, bula), sem preconceito.

O correto é dizer um grama ou uma grama?


     Depende do que você entende por “grama”. A palavra grama, como muitas outras na Língua Portuguesa, serve para representar coisas completamente distintas.
     Quando é usada como substantivo feminino, daí ser precedida pelos artigos femininos (uma) grama(a) grama, ou por numerais femininos _ quando estes sofrem flexão de gênero, como é o caso de duas (que deriva de dois) ou de trinta e uma (que deriva de trinta e um) _ a palavra grama serve para designar o vegetal rasteiro que recobre pastos, jardins e, principalmente, os campos de futebol.
     Quando, porém, a palavra grama vem precedida por artigos masculinos (o) grama(um) grama ou numerais do gênero masculino (dois) gramas(duzentos) gramas, ela designa uma unidade de medida de massa que consta no SI (Sistema Internacional de Medidas) e corresponde à milésima parte do quilograma (que, ressaltemos, é escrito com “qui” e, não, com “ki”).
     Portanto, se você fora à padaria e pedir “duzentas gramas” de presunto e o atendente lhe der um pedaço de presunto com duzentas folhas de grama em cima, não adianta reclamar.
     Em resumo, é correto dizer um grama (ou dois, ou trezentos etc.) se você estiver se referindo à unidade de medida de massa acima citada. E, da mesma forma, é correto dizer uma grama (ou duas, ou duzentas etc.) se você estiver se referindo ao vegetal conhecido por esse nome ou suas espécies: “Plantei duas gramas diferentes em meu jardim”. 

Qual a maior palavra da Língua Portuguesa?


     A maior palavra da língua portuguesa possui 46 letras e ganhou registro definitivo em 2001, quando apareceu no dicionário Houaiss.
     Antes, o título pertencia ao advérbio "anticonstitucionalissimamente", que tem 29 letras e descreve algo que é feito contra a constituição. O segundo lugar era de "oftalmotorrinolaringologista", com 28 letras, que se refere ao especialista nas doenças dos olhos, orelhas, nariz e garganta.
      Atualmente, como mencionamos acima, a maior palavra da Língua Portuguesa possui 46 letras e é a seguinte: pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico
     O Houaiss é o campeão de palavras na língua portuguesa, mas não traz, por exemplo, palavras da química, que têm dezenas de sílabas, usadas para definir compostos. Uma delas é "tetrabromometacresolsulfonoftaleína", que tem 35 letras e indica um corante usado em reações. "Palavras como essa são muito específicas e só aparecem em glossários de terminologia química", diz o filólogo Mauro Villar, do Instituto Antônio Houaiss.
     Entenda cada parte desse vocábulo de 46 letras:
     Pneumo - ultra - microscópico - ssilico - vulcano - coniótico
Pneumo = pulmão
ultra = fora de
microscópico = muito pequeno
sílico = vem de silício, um elemento químico presente no magma vulcânico
vulcano = vindo de um vulcão
coniótico = vem de coniose, doença causada por inalação de pós em suspensão no ar
Tudo isso junto = pessoa que sofre de uma doença pulmonar, a pneumoconiose, causada pela aspiração de cinzas vulcânicas!
Fonte: http://www.soportugues.com.br/seções/curiosidades/qualamaiorpalavradalínguaportuguesa.php

A pronúncia das palavras depois da Reforma


     Como fica a pronúncia das palavras que eram grafadas com trema e perderam o sinal depois da reforma?
     Esta pergunta tem, a principio, uma resposta bastante simples e direta: a pronúncia das palavras que antes recebiam o trema não será alterada, ao menos isso é o que diz a regra. Porém, sendo a Língua Portuguesa uma língua viva (ou seja, um idioma em constante evolução _ entenda-se por isso modificação), dificilmente a pronúncia destas palavras se manterá intacta no decorrer dos anos. Até porque, algumas palavras "não-tremadas" já confundiam a cabeça dos brasileiros de algumas regiões do país, como, por exemplo, a palavra adquirir que apesar de nunca ter sido grafada com o trema é pronunciada, por alguns, como se fosse.
     A Língua Portuguesa é inerentemente (isto é, por natureza) um idioma dinâmico e por isso não é de se surpreender que muita coisa ainda se altere, mesmo depois da Reforma Ortográfica. 

Qual a diferença entre embaixadora e embaixatriz?


     Antes de esclarecermos qual a diferença entre estes dois termos é preciso definir o que é um embaixador, que é o masculino de embaixatriz.
     Um embaixador é um funcionário diplomático do mais alto nível acreditado junto a um chefe de Estado estrangeiro para chefiar a missão diplomática de seu país. Segundo a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (CVRD) o cargo de embaixador é a mais alta das três classes de chefes de missão diplomática, acima das de ministro plenipotenciário e de encarregado de negócios, cargos estes que são hoje obsoletos. Os embaixadores costumam ostentar o título de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário, pois detêm plenos poderes para representar o seu país e, em geral, para celebrar tratados entre o Estado que representa ("Estado acreditante") e o Estado que o acolhe ("Estado acreditado" ou "Estado acreditador"). A exemplo dos demais agentes diplomáticos que lhe são subordinados, o embaixador goza de privilégios e imunidades previstos na CVRD.
     Embaixadora é a mulher que ocupa o cargo de “embaixador” (se é que assim podemos dizer) e embaixatriz é simplesmente a esposa de um embaixador e, não, uma mulher que ocupe qualquer cargo numa embaixada.
     Cumpre lembrar que o cargo de embaixador, ou embaixadora, da Unicef ou outro órgão da ONU, tal como Renato Aragão (Didi); é apenas simbólico, não sendo as pessoas em questão diplomatas ou funcionários diplomáticos.

Você sabe o que é um palíndromo?


     Um palíndromo é uma palavra, frase ou qualquer outra sequência de unidades que tenha a propriedade de poder ser lida tanto da direita para a esquerda (da frente para trás, ou seja, da forma considerada normal) como da esquerda para a direita (de trás para a frente). Num palíndromo, normalmente são desconsiderados os sinais ortográficos  (diacríticos ou de pontuação), assim como os espaços entre palavras.
     A palavra "palíndromo" vem das palavras gregas palin ("para trás") e dromos ("corrida, pista").
     Rômulo Marinho, veterano palindromista brasileiro, propõe classificar os palíndromos em três categorias; quais são:
     Expliciti - trazem sempre uma mensagem direta, clara e inteligível, como "Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos” (palíndromo de autoria anônima, provavelmente o mais conhecido da Língua Portuguesa).
     Interpretabiles - têm coerência, mas requerem esforço intelectual do leitor para serem entendidos, como "A Rita, sobre vovô, verbos atira."
     Insensati - cuidam apenas de juntar letras ou palavras sem se preocupar com o sentido, como "Olé! Maracujá, caju, caramelo."
     As frases formando um palíndromo também são chamadas de anacíclicas, do grego anakúklein, significando que volta em sentido inverso, que refaz inversamente o ciclo.
     Se você ainda ficou com dúvidas a respeito do seja um palíndromo, faça a seguinte experiência: pegue cada uma das frases a seguir e escreva-as numa folha de papel. Depois, reescreva as frases _ letra por letra _ de trás para a frente.
     Eis os palíndromos para a sua experiência: “Socorram-me, subi no onibus em Marrocos”, “Anotaram a data da maratona”, “Assim a aia a missa”, “A droga da gorda”, “A mala nada na lama”, “A torre da derrota”, “Saudável leva duas”.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%ADndromo com adaptações da equipe do site Português Hoje

Você sabe o que é jargão?


     Jargão é um tipo de comunicação específica, limitada a um determinado grupo de profissionais, e que tem por objetivo acelerar a troca de informações ou comandos entre esses profissionais, de modo a alcançar maior produtividade.
     O jargão pode ser composto de uma palavra, apenas, ou de expressões inteiras, ininteligíveis aos que não pertencem à área (técnica) ou àquele determinado grupo.  Hoje podemos falar em jargão de classe _ que são palavras ou expressões compreendidas e reconhecidas por todos os profissionais que pertencem a uma determinada classe: médicos (jargão médico), advogados (jargão jurídico), operários da construção civil (jargão dos operários da construção civil), policiais (jargão policial) etc. ; jargão local _ que é o jargão de uma classe de profissionais de uma determinada cidade ou região geográfica (por exemplo, o jargão dos policiais mineiros, que difere do jargão dos policiais cariocas, que difere do jargão dos policiais paulistas etc.); além de haver, é claro, o jargão específico dos profissionais de uma determinada empresa ou instituição.
     Como exemplo de jargão, podemos citar o código “Q” internacional que é muito utilizado por profissionais de segurança privada e transporte de valores. Cada uma das siglas corresponde a uma palavra ou mesmo uma frase inteira. Confira algumas: QAP = na escuta; QRZ = quem está chamando; QSM = repita a última mensagem; QTO = banheiro; QTH = localização; QTY = a caminho do local do acidente; QUD = recebi seu sinal de urgência; QSM = repita a última mensagem; QRV = prossiga; entre outros.

Qual a diferença entre ascender e acender?


     Acender, como vários vocábulos da Língua Portuguesa, pode ter mais de um significado, cada qual segundo o sentido que se queira expressar na oração. No entanto, em dois de seus sentidos mais utilizados, o verbo acender (escrito assim, sem o “s”) significa dar origem, levar ou atear fogo (acender uma pira, uma fogueira, um cigarro ou o queimador do fogão etc.); ou ligar, pôr em funcionamento (acender a luz, acender o rádio, acender a televisão etc.).
     Já ascender (escrito assim, com “sc”) significa mudar de uma esfera, patamar, instância, classe ou estrato, inferior; para ou outra esfera, patamar, instância classe ou estrato, superior. Jesus, após o terceiro dia de sua morte, por exemplo, ascendeu ao céu. João ascendeu socialmente após concluir seus estudos. O nível de radiação na região de Fukushima ascendeu bastante desde a última semana. Dentre outros inúmeros exemplos que pode citar.

Qual a diferença entre denotação e conotação?


     Observe as palavras grifadas nos exemplos a seguir: “Comprei uma corrente de ouro.”, “Eike Batista nada em ouro.”.
     No primeiro exemplo, a palavra ouro designa simplesmente o conhecido metal precioso, dúctil, brilhante e de cor amarela. Tem sentido próprio, real, denotativo. Já no segundo exemplo, ouro sugere ou evoca riquezas, aparência, poder, glória, luxo, ostentação, conforto, prazeres. Tem sentido conotativo, possui várias conotações (ideias associadas, sentimentos, evocações que irradiam da palavra).
     Como se vê, certas palavras têm grande poder evocativo, uma extraordinária carga semântica: são capazes de sugerir muito mais do que o objeto designado, desencadeando, conforme a situação, ideias, sentimentos e emoções de toda ordem. Quantas coisas podem sugerir palavras conotativas como selva, mar, praia, sol, festa!
     Em resumo, podemos dizer que palavras que denotação é o uso de uma palavra ou expressão no seu sentido real, no seu sentido original e primitivo. Já, conotação, é o uso de uma palavra ou expressão em uma acepção diferente daquela que lhe seria própria ou original.

Qual a diferença entre demais e de mais?

     A palavra demais pode ser um advérbio equivalendo a “excessivamente”, “muito”, “em demasia”. Exemplo: “Ela está cansada porque trabalhou demais.”. Pode ser um pronome indefinido equivalendo a “os mais”, “os restantes”, “os outros”. Como pronome indefinido, a palavra demais vem, quase sempre, precedida de artigo. Exemplo: “Só participam da reunião os diretores da área econômica: os demais permaneceram no escritório.
     A locução de mais sempre acompanha substantivos (ou palavras com valor de substantivo) com sentido contrário a de menos. “Exemplo: colocou cadeiras a mais no salão.”. A regra prática, para os dois casos, é a substituição por seus equivalentes ou pelos seus opostos.
livro - livro - livro - livro - livro - livro

Qual a diferença entre Este e Esse?


     Os pronomes demonstrativos este e esse podem utilizados para indicar a posição especial de um ser em relação às pessoas do discurso.
     Os demonstrativos de 1ª pessoa (esteesta,estes, estasisto) indicam que o ser está relativamente próximo à pessoa que fala. Podem ser usados em frases em que apareçam os pronomes eume, mim, comigo e com o advérbio de lugar aqui. Exemplos: “Esta caneta que está comigo é azul.”, “Este relógio que eu tenho nas mãos é de ouro.” e “Isto que está aqui comigo é um livro.”.
     Os demonstrativos de 2ª pessoa (esseessaessesessasisso) indicam que o ser está relativamente próximo à pessoa com quem se fala. Podem aparecer com os pronomes tu, tecontigo, vocêvocês e com o advérbio . Exemplos: “Essa caneta que está contigo é azul.”, “Esse relógio que tu tens nas mãos é de ouro.” e “Isso que está aí contigo é um livro.”.
     Esses pronomes servem também para indicar a posição temporal, revelando proximidade ou afastamento no tempo, em relação à pessoa que fala.
     Os demonstrativos de 1ª pessoa revelam tempo presente, ou bastante próximo do momento em que se fala. Exemplos: “Este dia está bom para ir à piscina.”, “Agora estou tranquilo: neste ano o Brasil montou uma seleção à altura de suas tradições.”.
     Os demonstrativos de 2ª pessoa revelam o tempo passado relativamente próximo ao momento em que se fala. Exemplos: “Em fevereiro faz muito calor; nesse mês pude ir várias vezes à praia.”, “Há dois anos concluí meu curso de francês; nesse ano pretendia morar na Europa.”.
     Os pronomes demonstrativos este e esse (e suas variações) e isto quando queremos fazer referência a alguma coisa que ainda vai ser falada. Exemplos: “Espero sinceramente isto: que se procedam às reformas.”, “Estas são algumas características do Romantismo: subjetivismo, apego à natureza, nacionalismo.”.
     Devemos empregar esse (e variações) e isso quando queremos fazer referência a alguma coisa que já foi falada. Exemplos: “Que as reformas sejam efetuadas rapidamente; é isso o que mais desejo.”, “Subjetivismo, apego à natureza, nacionalismo:essas são algumas das características do Romantismo.”.

Qual a diferença entre por hora e por ora?

     A expressão por hora (escrita assim, com h) significa: a cada intervalo de 60 minutos. Por hora deve ser empregado sempre que quisermos, ou necessitarmos, fazer referência a tal a período especifico de tempo. Já a expressão por ora (escrita assim, sem h) é equivalente à expressão “por enquanto” e não deve ser confundida com a expressão anterior.
Exemplos: "Lula disse ontem que anunciará mais medidas anticrise em janeiro. Por ora, sabe-se que deve vir um plano de construção de casas mais populares.", "Esse resultado indica, por ora, que, de fato, a terceira pessoa constitui-se num contexto de resistência à implementação da mudança em curso no português do Brasil.", “Rubinho deve tomar um comprimido por hora.”, “Margarida recebe por hora trabalhada.”
     Por ora (ou seja, por enquanto) ficamos por aqui.

Qual a diferença entre Bahia e baía?

     Bahia, o nome do Estado nordestino, é grafado com h. Já baía, o acidente geográfico (grande sinuosidade numa costa, por onde penetra o mar. A baía é maior do que a enseada e menor do que o golfo.), é grafado sem h e com acento agudo no í.
     Salvador, a capital da Bahia (grafada com h e inicial maiúscula, por ser um substantivo próprio), cresce às margens da baía (inicial minúscula, sem h e com acento) de Todos os Santos.
     Antigamente, o h era utilizado para indicar o hiato (Bahia, sahida [saída], Pirahi [Piraí], Jahu [Jaú]). Quando o uso do h foi abolido, (o hiato passou a ser indicado pelo acento: baía, saída, Piraí, Jaú), o Estado da Bahia manteve a grafia tradicional, assim como também mantiveram suas grafias tradicionais alguns nomes próprios atingindo pela última reforma (1990), como: Rosiléia, Wanderléia, Cléia entre outros.
     No entanto, as palavras derivadas do nome do Estado são grafadas sem h, o mesmo ocorrendo em compostos: Baiano, laranja-da-baía, bainidade, coco-da-baía etc.
     Portanto, fique sempre atento: Bahia = Estado nordestino, baía = acidente geográfico.

Obrigado ou obrigada?

     A concordância depende de quem está agradecendo. O homem, ao agradecer sempre dirá obrigado. Mesmo que esteja se dirigindo a uma mulher.
     Já a mulher sempre dirá obrigada ao agradecer outra a mulher ou mesmo a um homem. O que acontece é que quando você diz: obrigado (obrigada, se você for uma mulher) para outra pessoa, para agradecer um favor que ela lhe prestou; você está se colocando em uma posição de devedor de favor. Ou seja: confirma e aceita que tem uma obrigação, uma dívida (que não significa necessariamente prestar o mesmo favor que o outro lhe prestou) para com aquela pessoa. Em resumo, você afirma que está obrigado/obrigada a prestar um favor a quem lhe prestou o favor que você está agradecendo.
            O adjetivo concordará em gênero com aquele (aquela) que emite o agradecimento. A regra é simples de direta. Se você é homem dirá sempre obrigado. Se você é mulher dirá sempre obrigada. Qualquer coisa dita em contrário está errada.

Risco de vida ou risco de morte?

     Tanto faz. Não há uma forma certa e outra errada.
     Se o risco é de morrer, podemos dizer “risco de morte”, mas é indiscutível que a maioria dos brasileiros fala risco de vida. Temos aqui uma elipse: risco de (perder a) vida. Isso é corretíssimo e aceitável na língua padrão.
     A elipse é a omissão de um termo ou oração que facilmente podemos subentender no contexto. É uma espécie de economia de palavras.
     Quando se diz risco de morte, significa dizer que o indivíduo está sob a ameaça de morrer.
     Isso tudo significa que podemos escolher. As duas formas são corretas. A única diferença é que a expressão risco de vida, por ser a forma mais usual, talvez soe melhor aos ouvidos dos mais conservadores.
     É importante lembrar que não há uma forma melhor ou pior em si, mais certa ou menos errada. No meio jornalístico, há o hábito de criar padrões, mas, como o nome bem diz, são apenas padrões, ou seja, preferências do repórter, do editor ou da emissora.
     Alguns padrões poderão, futuramente, fazer com que algumas expressões caiam em desuso. Mas isso não significa dizer que elas caíram na “ilegalidade” gramática.

Palavras que são sempre escritas no plural

    Algumas palavras são sempre escritas e faladas no plural, não havendo flexão para o singular. Abaixo segue uma lista com estas palavras antecedidas pelos artigos definidos no plural “Os” e “As”:

As fezes
Os óculos
As costas
As hemorróidas
As cócegas
As olheiras
As custas
As núpcias
As férias
Os pêsames
Os parabéns
As bodas