Cem usos inadequados da Língua Portuguesa (71-80)

     Hoje em dia os conceitos de certo e errado em Língua Portuguesa tornaram-se elásticos e flexíveis de modo que não devemos considerá-los tal como antes. A adequação ou inadequação do uso de determinada expressão em um contexto específico é o que é o vem sendo proposto pelos lingüistas do século XXI. Diante disto, apresentamos usos inadequados da Língua Portuguesa, levando-se em conta a norma culta.

71 A temperatura chegou a 0 “graus”. Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.
72 A promoção veio “de encontro aos” seus desejos. Ao encontro de é que expressa uma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria.
73 Comeu frango “ao invés de” peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe.Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.
74 Se eu “ver” você por aí… O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir),convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.
75 Ele “intermedia” a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (oumedeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.
76 Ninguém se “adequa”. Não existem as formas “adequa”, “adeqüe”, etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.
77 Evite que a bomba “expluda”. Explodir só tem as pessoas em que depois do d vêm e e i: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale “exploda” ou “expluda”, substituindo essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as formas“precavejo”, “precavês”, “precavém”, “precavenho”, “precavenha”, “precaveja”, etc.
78 Governo “reavê” confiança. Equivalente: Governo recupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não existem“reavejo”, “reavê”, etc.
79 Disse o que “quiz”. Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.
80 O homem “possue” muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.

http://mscamp.wordpress.com/2009/08/23/os-100-erros-mais-comuns-da-lingua-portuguesa

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